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17 de abril de 2020 0 Comments

O Brasil provavelmente tem 12 vezes mais casos de coronavírus do que a contagem oficial, constata estudo

BRASÍLIA / RIO DE JANEIRO (Reuters) – O Brasil provavelmente tem 12 vezes mais casos do novo coronavírus do que está sendo oficialmente comunicado pelo governo, com poucos testes e longas esperas para confirmar os resultados, de acordo com um estudo divulgado nesta segunda-feira.

Pesquisadores de um consórcio de universidades e institutos brasileiros examinaram a proporção de casos que resultaram em mortes até 10 de abril e compararam-na com dados sobre a taxa de mortalidade esperada da Organização Mundial da Saúde.

A taxa de mortalidade muito acima do esperado no Brasil indica que há muito mais casos do vírus do que estão sendo contados, com o estudo estimando que apenas 8% dos casos estão sendo oficialmente relatados.

O governo concentrou-se em testar casos graves e não todos os casos suspeitos, de acordo com o consórcio, conhecido como Centro de Operações e Inteligência em Saúde. O centro e os profissionais médicos também se queixaram de longos tempos de espera para obter os resultados dos testes.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que é difícil distribuir testes no Brasil por causa do tamanho do país, mas reconhece que os testes precisam melhorar.

Oficialmente, o número de mortes por coronavírus no Brasil subiu para 1.328 na segunda-feira, enquanto o número de casos confirmados atingiu 23.430, segundo dados do Ministério da Saúde.

Na quinta-feira passada, o Brasil tinha cerca de 127.000 casos suspeitos e realizou pouco menos de 63.000 testes, segundo números do ministério. Uma autoridade do Ministério da Saúde disse na segunda-feira que mais de 93.000 testes ainda estão sendo processados ​​para obter resultados.

Até o momento, o número de internações por sintomas respiratórios graves foi três vezes maior que o normal para a época do ano, mas apenas 12% deles foram confirmados como COVID-19, a doença respiratória grave causada pelo novo coronavírus.

“O alto grau de subnotificação pode dar uma falsa impressão sobre o controle da doença e, consequentemente, levar a um declínio nas medidas de contenção”, afirmou o centro.

O surto alimentou a tensão no governo brasileiro, com o presidente de direita Jair Bolsonaro minimizando os riscos do vírus e instando o país a voltar ao normal, enquanto seu ministro da Saúde, governadores de estado e autoridades locais exigem medidas mais rigorosas.

Até o momento, o centro tem sido preciso em prever a evolução do vírus no Brasil, com o número confirmado de casos de coronavírus até 30 de março dentro do intervalo que os pesquisadores previram anteriormente.

Os pesquisadores agora estão prevendo que em 20 de abril o número de casos aumentará para 25.164 em seu cenário mais otimista e 60.413 casos em seu mais pessimista.

Reportagem de Jake Spring em Brasília e Pedro Fonseca no Rio de Janeiro; reportagem adicional de Marcelo Rochabrun em São Paulo; Edição por Dan Grebler e Rosalba O’Brien

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